
Da beira-mar, vê-se uma árvore solitária
que desponta ao longe, numa ilha próxima,
como quem aprendeu a solitude sem fazer dela tristeza.
O vento penteia sua quietude, de mansinho,
como se tocasse uma prece antiga.
O sol e a lua a visitam sem promessas de permanecer,
porque até as luzes do mundo passam.
O mar bate nas pedras numa mistura de barulho poético,
como se o coração da Terra falasse alto para ser ouvido.
Talvez ensaie despedidas, talvez grite segredos que ninguém lê.
E ainda assim…
a árvore não responde.
Ela escuta com o corpo inteiro. Não por fraqueza, mas por sabedoria.
Há silêncios que não são ausência: são instantes de conexão
com o belo da vida.
Cada onda que se desfaz se esconde no mesmo destino do silêncio,
e a espuma volta ao mar como quem volta para casa.
A árvore, ali, permanece: verde teimosia contra a solidão.
A vida, quando não esquece, vira raiz no meio da imensidão.

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